Ensinamentos aos Filhos da TUAC
Lição 3 — A abertura da gira
Antes de qualquer trabalho, o ambiente é preparado: limpo por fora, firmado por dentro. O terreiro passa por limpeza física, a direção prepara as firmezas dos Orixás, dos guias e do povo da rua, e só então a gira se abre. Na casa, a abertura segue esta ordem:
1. Saudação a Exu. Canta-se primeiro para o povo da rua, porque sem Exu não se faz nada. Exu segura as porteiras, impede a aproximação de espíritos perturbadores e abre o caminho para a caridade. A saudação Laroyê Exu, Exu é Mojubá quer dizer, na explicação da casa, "boa noite, senhor de respeito, Exu é grandioso".
2. Virada para o Congá. Saudam-se os Orixás e os guias com os pontos de abertura, pedindo permissão para trabalhar.
3. Defumação. Passa-se a fumaça das ervas de descarrego, defesa e firmeza, sempre sobre brasa de carvão, que neutraliza as energias negativas. Canta-se para Ogum, para quebrar as demandas, e para Oxóssi e os Caboclos, como firmeza.
4. Invocação de Oxalá. Chama-se a presença de Olorum, Oxalá, Oxaguian e Oxalufan, que no sincretismo da casa são Deus, Jesus Cristo e o Espírito Santo.
5. Saudação aos Orixás e ao anjo da guarda, com seus pontos.
6. Saudação às almas, com oração e o sinal da cruz no chão, que saúda os quatro cantos do mundo e do terreiro e benze o próprio solo.
7. Saudação a Pai Xangô, quando todos batem cabeça com a gira aberta.
Por que o ponto se chama ponto. O ponto cantado funciona como firmeza: marca e firma o território espiritual, como um ponto riscado no chão. Por isso não se canta "de qualquer jeito": canta-se com atenção e intenção.
Na defumação, o médium se concentra. É um dos momentos de descarregar a matéria e, ao mesmo tempo, carregá-la de bons fluidos. Bons pensamentos, olhos no Congá, nada de conversa.
Ensinamento: a abertura é o alicerce da gira. Casa bem aberta é casa protegida, e médium que participa da abertura com atenção já está trabalhando.