Ensinamentos aos Filhos da TUAC
Lição 2 — Bater cabeça, reflexão e concentração
Do portão para dentro, o médium deixa de ser a pessoa do dia a dia e passa a ser servidor da corrente. Três gestos marcam essa passagem.
1. Bater cabeça. O médium se deita de bruços, com as guias sobre a testa no chão (ou sobre uma toalha branca), e se entrega de corpo e alma ao Congá, aos Orixás e aos guias. Na casa, bate-se cabeça para o Congá, para Omolu, para Exu e para o atabaque, e cumprimentam-se as mães de cabeça. Depois, com a gira aberta, bate-se cabeça para Pai Xangô, pedindo força espiritual e perdão das dívidas.
O fundamento: colocar a cabeça no chão é o gesto da humildade. O médium se coloca como soldado da Umbanda, que serve e não manda. A cabeça, que é a parte mais sagrada do corpo, se curva diante do sagrado.
2. Reflexão. Ao entrar na gira, o médium pensa nos dias que antecederam o trabalho: seus erros, seus acertos, seus pontos fracos. E agradece a Pai Oxalá a chance de estar novamente a seu serviço.
3. Concentração. Depois da reflexão, o médium se desliga de tudo ao redor e fixa o pensamento em algo que lhe traga paz. A mente livre recebe melhor as vibrações, e o corpo absorve as imantações do ambiente. Da entrada no terreiro até o início da gira, silêncio.
A vida particular fica lá fora. Dentro da gira, o pensamento é ajudar o próximo. Os problemas pessoais têm hora: quando terminam as consultas, o médium pode saudar o guia chefe e, aí sim, falar do que o aflige.
Ensinamento: celular, conversa e preocupação ficam no portão. Quem entra inteiro serve inteiro.