O fundamento de cada ponto do terreiro

A responsabilidade de acender uma vela

Na internet se ensina vela para tudo: vela para amor, para dinheiro, para "amarrar" alguém. Mas na Umbanda acender uma vela não é truque nem encomenda. Acender uma vela é firmar um pensamento diante da espiritualidade, e quem firma responde pelo que firmou.

O fundamento. A chama une os elementos: o fogo que queima, o ar que alimenta, a cera que vem da terra. A luz é o símbolo da fé que se acende dentro de nós. A vela não faz o pedido acontecer sozinha: ela concentra e sustenta a intenção de quem a acendeu.

As cores. Antigamente acendia-se vela branca para todos os Orixás e linhas. As velas coloridas vieram depois, e o culto adaptou as cores a cada força. A vela branca continua servindo para tudo: o que vale é a intenção, não a cor.
A responsabilidade da intenção. Vela não se acende com raiva, com inveja ou para interferir no caminho de outra pessoa. Ninguém tem o direito de mexer no livre-arbítrio do outro. Quem acende vela pedindo o mal de alguém não está fazendo Umbanda.

A responsabilidade material. Fogo é fogo. Vela sempre num prato ou suporte firme, longe de cortinas, panos, papel, crianças e animais. Nunca acesa em mata, cachoeira ou praia onde possa causar incêndio. Não se deixa vela acesa sozinha em casa sem segurança. Firmeza que vira incêndio não é fé, é descuido.

Na prática do médium. Antes da gira, o médium acende uma vela branca com um copo de água para o seu anjo da guarda, e mantém essa firmeza com zelo, trocando a água com frequência. É um compromisso pequeno, repetido, que ensina constância.

Reflexão: uma vela acesa sem fé é só cera queimando. Uma vela acesa com consciência é uma oração que continua enquanto você vive o seu dia.